Esqueça o corpo e sublime-se...

Olá!
Seja muito bem vindo ao novo blog sobre as Artes dramática e cinematográfica.

Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação do Mestrado de Ciências Humanas e Sociais.
É dirigido a Técnicos de Investigação Artística, a Animadores Sócio-Culturais, a Atores, a Encenadores, a Realizadores, a Críticos de Arte, a Professores ou Formadores e a qualquer pessoa que tenha curiosidade em aprofundar ou debater estes temas.

Sinta-se à vontade para comentar, pois é da discussão que se cria o Caos e é do Caos que nascem as Estrelas!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estará a estética a matar a Arte?

Estará a estética a matar a Arte? 

A arte é emoção e sensação, é algo que nos eleva, que nos sublima, é algo que não se explica nem se deveria querer explicar... Mas faz parte da condição humana a curiosidade, está interiorizado sempre em nós o desejo de conhecer o porquê, o quando e o como. 

Até que ponto a teorização excessiva a que se assiste na contemporaneidade está a contrariar a essência artística? 

J.Tempera


Assim como a estética poderá matar a Arte, por analogia, a didática poderá matar o fruir do texto literário...
Levanto aqui a questão por ter lido, e considerado útil para uma reflexão aprofundada, o site http://sites.google.com/site/ariadneofio/home - O Fio de Ariadne, escrito por Marta de Sousa SR, que trata o assunto.

Cinergia - Uma nova revista de Cinema


CINERGIA - REVISTA PORTUGUESA DE CINEMA


Venho aqui deixar a informação de que saiu o primeiro número da revista Cinergia, uma nova revista de cinema com críticas, entrevistas e textos de especialistas portugueses de cinema, cujo link é http://issuu.com/jomiguel/docs/cinergia/1


Este número conta com 10 críticas a filmes, relativamente recentes, consideráveis no panorama cinematográfico atual, e as respetivas classificações segundo cada um dos autores; 8 textos teóricos suscetíveis à criação de debates; a escolha seletiva dos melhores filmes da década passada segundo a opinião de cada um dos autores; e entrevistas aos cineastas Lauro António e Pedro Costa.


Os conteúdos variados, uma escrita fluída e um design limpo faz esta revista muito interessante, espero que continue porque promete fazer sucesso.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Composição dos teatros gregos e latinos

Os teatros eram auditórios ao ar livre. O início do espetáculo dava-se ao amanhecer. 
Muitas vezes os cidadãos assistiam a 3 tragédias, uma tragicomédia e uma comédia. O teatro era considerado parte da educação de um grego. 
Em Atenas, o comércio era suspenso durante os festivais dramáticos. Os tribunais fechavam e os presos eram soltos da cadeia. 
O preço da entrada era dispensado para quem não pudesse pagar, e até as mulheres, que não podiam participar de quase todos os acontecimentos públicos, eram bem recebidas no teatro.

Composição do Teatro:

Na orquestra (ao centro) estava situado o altar - Thymêlê - onde era prestado culto ao deus Dionísio. Esse espaço era o local onde atuava o coro, onde se dançava e cantava, criando assim um ambiente de ritual.

Com o passar do tempo e o evoluir da representação, começaram a surgir alterações de espaço. A orquestra passa a pertencer somente ao coro, expulsando a representação desse espaço. A representação passa assim a ser dividida pela orquestra (onde ficava o coro) e a skêné, que era local onde atuavam os actores, ou seja, o espaço da acção. As extremidades da skêné são designadas por paraskênia, e eram por onde entravam os atores, para a skêné, e o coro, para a orquestra. 

Uma das principais inovações coincide com o teatro de Priene. Há uma transformação: o círculo da orquestra desaparece e dá lugar a um meio circulo, passando a haver dois tipos de encenação em diferentes locais:
  • Próskênion – primeira noção de palco elevado que ocorre numa distância de 2,80m desde o solo;
  • Skêné – onde se situava o logeion (nível superior).
Deste modo, quando haviam encenações com representações de identidades divinas, estas eram demonstradas de forma a que se compreendesse claramente a sua superioridade: os deuses no Próskênion e os seres humanos no Skêné. A partir desta inovação o coro começa a perder notoriedade nas peças. 


Em relação à inserção de cenários, usavam-se dois métodos distintos:
  • Técnica do Periaktoi - prismas triangulares pintados com 3 cenários;
  • Técnica do Ekkyklêma – móveis construídos sobre um eixo.

No período latino, os romanos apoderam-se do último modelo arquitetónico do teatro grego e passam a construir as suas estruturas em forma de ferradura. 


No teatro romano encontra-se uma fachada de cena com 5 portas. 
Estas portas tinham simbologias diferentes: enquanto que pela do meio, a porta principal, entravam as personagens da realeza, as portas das extremidades eram para as personagens secundárias. A porta que sobrava à esquerda estava reservada à passagem de pessoas que frequentavam a realeza, a da direita reservava-se para aquelas personagens longínquas que chegavam de outras paradas.

A Comédia e o Teatro Latino

Comédia e o Teatro Latino:

Comédia: deriva do grego komos (komé – aldeia). É em 484 a.C. que encontramos as primeiras manifestações da comédia com Quíonides – “canto fálico” – phallus. As primeiras comédias foram escritas por Epicarmo. O teatro romano foi muito influenciado pela herança etrusca e grega do circo.
  • Em 240 a.C. Liviu Andronicus começa a traduzir diversas peças gregas;
  • 212 a.C – Primeira comédia de Plauto;
    Por esta altura, Pompílio é referido como o primeiro mimo conhecido do teatro popular romano.
  • Névio, Étnio e Pacúnio, são outros autores que vão traduzir outras peças gregas;
  • 155 A.C. – 1º edifício teatral romano;
  • 55 A.C. – Inauguração do teatro de Pompeia;
  • 27 A.C. – Virgilio inicia a Eneida;
  • 10 A.C. – "Arte Poética" de Horácio – baseada no uso da palavra em cena (elocution), enaltece o poder da palavra.
  • 200 D.C. – Tertuliano (defesa de que o cristão, em que declama que o cristão baptizado deve renunciar os spectaculos).
Na sua globalidade Plauto escreveu 130 comédias, mas só se conservaram 21. 
Terêncio escreveu 6 comédias, as quais conservaram-se na sua globalidade.


Três fases da Comédia:
  • Comédia Antiga: 486 – 404 A.C – cultivada por Aristófanes; favorece o agón, a parabásis e o pnignos; o monopólio da palavra de um ator aferente a outro; temas de cariz político-social.
  • Comédia Intermédia – 404 – 336 A.C – cultivada por Antífanes; caracterizada pela ausência de coro; temas de caráter mitológico.
  • Comédia Nova – 336 -250 A.C – cultivada por Menandro; diminui o papel do coro; dá-se a humanização da comédia, temas que abordam os sentimentos e os costumes do ser humano.

O teatro na Grécia Antiga

O teatro na Grécia Antiga:

No século VI a.C. verifica-se uma tentativa de libertação das convenções e rituais religiosos para se tornar o teatro numa forma de arte, através do desenvolvimento do ditirambo.

O ditirambo era forma de canto coral entoado em honra do deus do vinho (Díonisio ou Baco). Ao princípio, tinha uma estrutura narrativa, posteriormente, com o surgimento de um diretor de coro e com a introdução de um ator usando máscaras diferentes para recriar situações e personagens diversas, dá o primeiro passo para a representação dramática; possibilitando o diálogo entre o coro e o ator e a abordagem de histórias e temas mais complexos. 

Aristóteles na “Poética” defende o ditirambo como a origem da tragédia grega. 
De acordo com a lenda foi Thespis o inventor do drama e o primeiro a introduzir a figura de um único ator que dialogava com o coro. Acredita-se ter sido também Thespis o introdutor do uso da máscara, não só para disfarçar os atores como para os identificar com estereótipos sociais, e para que os actores masculinos pudessem mais facilmente representar personagens femininas. 


Com Ésquilo, Sófocles e Eurípides, as tragédias eram escritas em verso e divididas em cenas nas quais alternavam as falas das personagens (não mais de três) e a intervenção do coro. 

As tragédias baseavam-se em lendas e histórias muito antigas, tecendo sempre considerações à posição do Homem no mundo e às consequências das suas acções individuais, sendo interpretadas à luz de ideais religiosos, morais e políticos. 

No que diz respeito à organização da cena: as tragédias representavam verticalmente a organização do cosmos; ou seja, a parte superior era reservada ao divino, a parte inferior representava o local de exílio ou de punição das personagens e o meio correspondia à área relativa ao plano terrestre, representado por um palco circular onde a ação decorria. 

O coro funcionava muitas vezes como a voz da razão que o protagonista conhecia.

Os três grandes dramaturgos:

Ésquilo:
  • Nasceu em Elembis na data de 525/525 a.C. e morreu em Gela a 456/455 a.C;
  • O seu 1º triunfo foi em 484 a.C. e ganhou 12 vezes;
  • Em 472 a.C. triunfa em Atenas com os “Persas”;
  • As suas tragédias eram basicamente compostas por 2 atores e pelo coro;
  • Era representado um herói solitário que enfrentava o seu destino ou o interior da sua alma;
  • O espetador deve aprender sofrendo, logo o herói trágico deve ser representado à sua semelhança;
  • Não se enquadra na “Poética” de Aristóteles porque este diz que o efeito chocante deve ser evitado, o que não acontece quando os inocentes são castigados.


Sófocles:
  • Nasceu em 497/496 a.C. e morreu em 406 a.C.;
  • A 1ª apresentação da sua tragédia foi em 468 a.C., tem 18 triunfos registados em concursos;
  • Tinha uma trilogia de peças insólitas e independentes;
  • Sófocles introduz um terceiro ator para acentuar a complexidade do protagonista;
  • Manteve-se a importância do coro para preencher intervalos entre cenas, continuando ligado à acção, com algumas personalidades, opiniões pessoais e não sendo o porta-voz do poeta.

Eurípides:
  • Nasceu em 485/484 a.C. e morreu em 406 a.C;
  • A sua 1ª apresentação foi em 455 a.C. o seu primeiro triunfo em 441 a.C; teve 3 triunfos em vida, pois os temas não eram bem reagido na época;
  • Apresentava paixões, ideias filosóficas sobre a vida e doutrinas;
  • Introduz mais personagens.


Trágico:

  • Algo de terrível, um momento ou estado de espírito em que os homens se deixavam levar pelas paixões, ultrapassa os limites do normal;
  • A palavra podia levar a prever os destinos fatídicos e a uma maneira de ver o Mundo;
  • Para Aristóteles a catarse era finalidade da poesia trágica;
  • A catarse aristotélica era transmitida através do alívio, combinado com o prazer pois não tinha efeito moral;
  • “Todo o trágico se baseia numa contradição inconciliável” (Goethe): define o conceito de trágico pois para haver efeito trágico tem que haver dignidade na queda;
  • Surge quando uma posição de fortuna cai devido a uma falha, o sujeito do ato trágico tem consciência do sofrimento imerecido;
  • Imita ações e vida, não as pessoas;
  • A evolução da tragédia reflete-se na história de Atenas: na vitória da democracia, no aparecimento dos sofistas e nos seus novos ensinamentos e pensamentos.

Estrutura da tragédia:
  • Prologo - apresentação do argumento;
  • Párodo - entrada do coro a cantar;
  • Episódios partes faladas intercaladas com os
  • Estasimos - partes cantadas e com os
  • Kommoi - partes musicais, com dança e canto;
  • Êxodo - saída do coro
    O estasimo é a primeira manifestação de uma repartição da história em actos (momentos de pausa e reflexão).


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma breve história do cinema erótico e pornográfico



Era uma vez um género. Nasceu ontem de géneros precedentes e é babelizado hoje em outros géneros restantes. 
Eram, na vez seguinte, dois géneros sem género igual.

No link que se segue encontra-se uma apresentação que trata a história do cinema erótico e pornográfico de um modo sintetizado.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A tragédia clássica na "Poética" de Aristoteles

No teatro a Poética de Aristóteles assume uma importância indiscutível no que concerne à definição de tragédia clássica. 

A tragédia define-se como uma imitação de caracterização elevada, sendo esta representativa, em vez de narrativa, para poder suscitar emoções como o terror e a piedade e, consequentemente, produzir o efeito de catarse, de purificação, sob o espetador. 
 Por exemplo, encontramos este terror em vícios que vão para além das normas estabelecidas; o incesto e o parricídio eram os crimes mais encenados em palco. 

No caso de Édipo, o terror está associado ao sentimento de desconhecimento. A tragédia ensina que há uma transcendência divina; há uma fatalidade que não é da responsabilidade de quem comete a ação. no período clássico essa fatalidade é da responsabilidade dos Deuses.
Sabemos que estamos perante uma tragédia quando, através da indução desses sentimentos, se dá a catarse; ou seja, quando se dá uma purificação das paixões e das emoções no momento em que os personagens tomam conhecimento do crime, provocando uma espécie de identificação no espetador.

A linguagem utilizada é ornamentada e em verso para combinar com o espírito elevado e educacional que o teatro representava na geração clássica.

A tragédia divide-se em três partes fundamentais:
  1. Pensamento: É aquilo que enquadra a encenação de uma personagem, permitindo a progressão ao longo da ação. É o que se estuda para analisar o discurso da personagem.
  2. Caráter: É aquilo que permite distinguir os personagens.
  3. Mito: É a própria imitação das ações. É o mito que conta a história.
Dois dos elementos importantes na tragédia são: 

Reconhecimento que se trata do momento em que caminhamos para a catástrofe, momento em que uma das personagens principais passa a conhecer a sua verdadeira identidade, momento alto do conflito em que a personagem deixa de ter atitudes; 
E as Peripécias que estão associadas ao inesperado que decorre ao longo da acção e que a vai transformar, mudando de direção. 

A morte trata-se de um elemento de consagração heroica, pois é através dela que a personagem se liberta do pecado e do sentimento de culpa.  A morte permite a recriação de um exemplum, através do sacrifício o personagem alvo das incidências do destino pode alcançar um nível superior ao terrestre.

Relativamente a questão da verosimilhança são dois os que a defendem de maneira diferente: 

Énodoto, o historiador, refere que a verosimilhança vai ao encontro da verdade;
Enquanto que Homero refere que na verosimilhança para a arte o que é considerável não é o que é possível de acontecer no ponto de vista externo, do mito, mas sim do ponto de vista interno, do caráter da personagem.