Seja muito bem vindo ao novo blog sobre as Artes dramática e cinematográfica.
Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação do Mestrado de Ciências Humanas e Sociais.
É dirigido a Técnicos de Investigação Artística, a Animadores Sócio-Culturais, a Atores, a Encenadores, a Realizadores, a Críticos de Arte, a Professores ou Formadores e a qualquer pessoa que tenha curiosidade em aprofundar ou debater estes temas.
Sinta-se à vontade para comentar, pois é da discussão que se cria o Caos e é do Caos que nascem as Estrelas!
A arte é emoção e sensação, é algo que nos eleva, que nos sublima, é algo que não se explica nem se deveria querer explicar... Mas faz parte da condição humana a curiosidade, está interiorizado sempre em nós o desejo de conhecer o porquê, o quando e o como.
Até que ponto a teorização excessiva a que se assiste na contemporaneidade está a contrariar a essência artística?
J.Tempera
Assim como a estética poderá matar a Arte, por analogia, a didática poderá matar o fruir do texto literário...
Levanto aqui a questão por ter lido, e considerado útil para uma reflexão aprofundada, o site http://sites.google.com/site/ariadneofio/home - O Fio de Ariadne, escrito por Marta de Sousa SR, que trata o assunto.
Venho aqui deixar a informação de que saiu o primeiro número da revista Cinergia, uma nova revista de cinema com críticas, entrevistas e textos de especialistas portugueses de cinema, cujo link é http://issuu.com/jomiguel/docs/cinergia/1
Este número conta com 10 críticas a filmes, relativamente recentes, consideráveis no panorama cinematográfico atual, e as respetivas classificações segundo cada um dos autores; 8 textos teóricos suscetíveis à criação de debates; a escolha seletiva dos melhores filmes da década passada segundo a opinião de cada um dos autores; e entrevistas aos cineastas Lauro António e Pedro Costa.
Os conteúdos variados, uma escrita fluída e um design limpo faz esta revista muito interessante, espero que continue porque promete fazer sucesso.
Os teatros eram auditórios ao ar livre. O início do espetáculo dava-se ao amanhecer.
Muitas vezes os cidadãos assistiam a 3 tragédias, uma tragicomédia e uma comédia. O teatro era considerado parte da educação de um grego.
Em Atenas, o comércio era suspenso durante os festivais dramáticos. Os tribunais fechavam e os presos eram soltos da cadeia.
O preço da entrada era dispensado para quem não pudesse pagar, e até as mulheres, que não podiam participar de quase todos os acontecimentos públicos, eram bem recebidas no teatro.
Composição do Teatro:
Na orquestra (ao centro) estava situado o altar - Thymêlê - onde era prestado culto ao deus Dionísio. Esse espaço era o local onde atuava o coro, onde se dançava e cantava, criando assim um ambiente de ritual.
Com o passar do tempo e o evoluir da representação, começaram a surgir alterações de espaço. A orquestra passa a pertencer somente ao coro, expulsando a representação desse espaço. A representação passa assim a ser dividida pela orquestra (onde ficava o coro) e a skêné, que era local onde atuavam os actores, ou seja, o espaço da acção. As extremidades da skêné são designadas por paraskênia, e eram por onde entravam os atores, para a skêné, e o coro, para a orquestra.
Uma das principais inovações coincide com o teatro de Priene. Há uma transformação: o círculo da orquestra desaparece e dá lugar a um meio circulo, passando a haver dois tipos de encenação em diferentes locais:
Próskênion – primeira noção de palco elevado que ocorre numa distância de 2,80m desde o solo;
Skêné – onde se situava o logeion (nível superior).
Deste modo, quando haviam encenações com representações de identidades divinas, estas eram demonstradas de forma a que se compreendesse claramente a sua superioridade: os deuses no Próskênion e os seres humanos no Skêné. A partir desta inovação o coro começa a perder notoriedade nas peças.
Em relação à inserção de cenários, usavam-se dois métodos distintos:
Técnica do Periaktoi - prismas triangulares pintados com 3 cenários;
Técnica do Ekkyklêma – móveis construídos sobre um eixo.
No período latino, os romanos apoderam-se do último modelo arquitetónico do teatro grego e passam a construir as suas estruturas em forma de ferradura.
No teatro romano encontra-se uma fachada de cena com 5 portas.
Estas portas tinham simbologias diferentes: enquanto que pela do meio, a porta principal, entravam as personagens da realeza, as portas das extremidades eram para as personagens secundárias. A porta que sobrava à esquerda estava reservada à passagem de pessoas que frequentavam a realeza, a da direita reservava-se para aquelas personagens longínquas que chegavam de outras paradas.
Comédia: deriva do grego komos (komé – aldeia). É em 484 a.C. que encontramos as primeiras manifestações da comédia com Quíonides – “canto fálico” – phallus. As primeiras comédias foram escritas por Epicarmo. O teatro romano foi muito influenciado pela herança etrusca e grega do circo.
Em 240 a.C. Liviu Andronicus começa a traduzir diversas peças gregas;
212 a.C – Primeira comédia de Plauto;
Por esta altura, Pompílio é referido como o primeiro mimo conhecido do teatro popular romano.
Névio, Étnio e Pacúnio, são outros autores que vão traduzir outras peças gregas;
155 A.C. – 1º edifício teatral romano;
55 A.C. – Inauguração do teatro de Pompeia;
27 A.C. – Virgilio inicia a Eneida;
10 A.C. – "Arte Poética" de Horácio – baseada no uso da palavra em cena (elocution), enaltece o poder da palavra.
200 D.C. – Tertuliano (defesa de que o cristão, em que declama que o cristão baptizado deve renunciar os spectaculos).
Na sua globalidade Plauto escreveu 130 comédias, mas só se conservaram 21.
Terêncio escreveu 6 comédias, as quais conservaram-se na sua globalidade.
Três fases da Comédia:
Comédia Antiga: 486 – 404 A.C – cultivada por Aristófanes; favorece o agón, a parabásis e o pnignos; o monopólio da palavra de um ator aferente a outro; temas de cariz político-social.
Comédia Intermédia – 404 – 336 A.C – cultivada por Antífanes; caracterizada pela ausência de coro; temas de caráter mitológico.
Comédia Nova – 336 -250 A.C – cultivada por Menandro; diminui o papel do coro; dá-se a humanização da comédia, temas que abordam os sentimentos e os costumes do ser humano.
No século VI a.C. verifica-se uma tentativa de libertação das convenções e rituais religiosos para se tornar o teatro numa forma de arte, através do desenvolvimento do ditirambo.
O ditirambo era forma de canto coral entoado em honra do deus do vinho (Díonisio ou Baco). Ao princípio, tinha uma estrutura narrativa, posteriormente, com o surgimento de um diretor de coro e com a introdução de um ator usando máscaras diferentes para recriar situações e personagens diversas, dá o primeiro passo para a representação dramática; possibilitando o diálogo entre o coro e o ator e a abordagem de histórias e temas mais complexos.
Aristóteles na “Poética” defende o ditirambo como a origem da tragédia grega.
De acordo com a lenda foi Thespis o inventor do drama e o primeiro a introduzir a figura de um único ator que dialogava com o coro. Acredita-se ter sido também Thespis o introdutor do uso da máscara, não só para disfarçar os atores como para os identificar com estereótipos sociais, e para que os actores masculinos pudessem mais facilmente representar personagens femininas.
Com Ésquilo, Sófocles e Eurípides, as tragédiaseram escritas em verso e divididas em cenas nas quais alternavam as falas das personagens (não mais de três) e a intervenção do coro.
As tragédias baseavam-se em lendas e histórias muito antigas, tecendo sempre considerações à posição do Homem no mundo e às consequências das suas acções individuais, sendo interpretadas à luz de ideais religiosos, morais e políticos.
No que diz respeito à organização da cena: as tragédias representavam verticalmente a organização do cosmos; ou seja, a parte superior era reservada ao divino, a parte inferior representava o local de exílio ou de punição das personagens e o meio correspondia à área relativa ao plano terrestre, representado por um palco circular onde a ação decorria.
O coro funcionava muitas vezes como a voz da razão que o protagonista conhecia.
Os três grandes dramaturgos:
Ésquilo:
Nasceu em Elembis na data de 525/525 a.C. e morreu em Gela a 456/455 a.C;
O seu 1º triunfo foi em 484 a.C. e ganhou 12 vezes;
Em 472 a.C. triunfa em Atenas com os “Persas”;
As suas tragédias eram basicamente compostas por 2 atores e pelo coro;
Era representado um herói solitário que enfrentava o seu destino ou o interior da sua alma;
O espetador deve aprender sofrendo, logo o herói trágico deve ser representado à sua semelhança;
Não se enquadra na “Poética” de Aristóteles porque este diz que o efeito chocante deve ser evitado, o que não acontece quando os inocentes são castigados.
Sófocles:
Nasceu em 497/496 a.C. e morreu em 406 a.C.;
A 1ª apresentação da sua tragédia foi em 468 a.C., tem 18 triunfos registados em concursos;
Tinha uma trilogia de peças insólitas e independentes;
Sófocles introduz um terceiro ator para acentuar a complexidade do protagonista;
Manteve-se a importância do coro para preencher intervalos entre cenas, continuando ligado à acção, com algumas personalidades, opiniões pessoais e não sendo o porta-voz do poeta.
Eurípides:
Nasceu em 485/484 a.C. e morreu em 406 a.C;
A sua 1ª apresentação foi em 455 a.C. o seu primeiro triunfo em 441 a.C; teve 3 triunfos em vida, pois os temas não eram bem reagido na época;
Apresentava paixões, ideias filosóficas sobre a vida e doutrinas;
Introduz mais personagens.
Trágico:
Algo de terrível, um momento ou estado de espírito em que os homens se deixavam levar pelas paixões, ultrapassa os limites do normal;
A palavra podia levar a prever os destinos fatídicos e a uma maneira de ver o Mundo;
Para Aristóteles a catarse era finalidade da poesia trágica;
A catarse aristotélica era transmitida através do alívio, combinado com o prazer pois não tinha efeito moral;
“Todo o trágico se baseia numa contradição inconciliável” (Goethe): define o conceito de trágico pois para haver efeito trágico tem que haver dignidade na queda;
Surge quando uma posição de fortuna cai devido a uma falha, o sujeito do ato trágico tem consciência do sofrimento imerecido;
Imita ações e vida, não as pessoas;
A evolução da tragédia reflete-se na história de Atenas: na vitória da democracia, no aparecimento dos sofistas e nos seus novos ensinamentos e pensamentos.
Estrutura da tragédia:
Prologo - apresentação do argumento;
Párodo - entrada do coro a cantar;
Episódios partes faladas intercaladas com os
Estasimos - partes cantadas e com os
Kommoi - partes musicais, com dança e canto;
Êxodo - saída do coro
O estasimo é a primeira manifestação de uma repartição da história em actos (momentos de pausa e reflexão).
No teatro a Poética de Aristóteles assume uma importância indiscutível no que concerne à definição de tragédia clássica.
A tragédia define-se como uma imitação de caracterização elevada, sendo esta representativa, em vez de narrativa, para poder suscitar emoções como o terror e a piedade e, consequentemente, produzir o efeito de catarse, de purificação, sob o espetador.
Por exemplo, encontramos este terror em vícios que vão para além das normas estabelecidas; o incesto e o parricídio eram os crimes mais encenados em palco.
No caso de Édipo, o terror está associado ao sentimento de desconhecimento. A tragédia ensina que há uma transcendência divina; há uma fatalidade que não é da responsabilidade de quem comete a ação. no período clássico essa fatalidade é da responsabilidade dos Deuses.
Sabemos que estamos perante uma tragédia quando, através da indução desses sentimentos, se dá a catarse; ou seja, quando se dá uma purificação das paixões e das emoções no momento em que os personagens tomam conhecimento do crime, provocando uma espécie de identificação no espetador.
A linguagem utilizada é ornamentada e em verso para combinar com o espírito elevado e educacional que o teatro representava na geração clássica.
A tragédia divide-se em três partes fundamentais:
Pensamento: É aquilo que enquadra a encenação de uma personagem, permitindo a progressão ao longo da ação. É o que se estuda para analisar o discurso da personagem.
Caráter: É aquilo que permite distinguir os personagens.
Mito: É a própria imitação das ações. É o mito que conta a história.
Dois dos elementos importantes na tragédia são:
O Reconhecimento que se trata do momento em que caminhamos para a catástrofe, momento em que uma das personagens principais passa a conhecer a sua verdadeira identidade, momento alto do conflito em que a personagem deixa de ter atitudes;
E as Peripécias que estão associadas ao inesperado que decorre ao longo da acção e que a vai transformar, mudando de direção.
A morte trata-se de um elemento de consagração heroica, pois é através dela que a personagem se liberta do pecado e do sentimento de culpa. A morte permite a recriação de um exemplum, através do sacrifício o personagem alvo das incidênciasdo destino pode alcançar um nível superior ao terrestre.
Relativamente a questão da verosimilhança são dois os que a defendem de maneira diferente:
Énodoto, o historiador, refere que a verosimilhança vai ao encontro da verdade;
Enquanto que Homero refere que na verosimilhança para a arte o que é considerável não é o que é possível de acontecer no ponto de vista externo, do mito, mas sim do ponto de vista interno, do caráter da personagem.